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dica 4x4instalacao35

Este roteiro foi escrito com base em minha experiência na instalação de tração 4x4 em uma Chevrolet Bonanza 94. Basicamente o processo será o mesmo para qualquer modelo similar, tipo A/C/D-10, A/C/D-20 e Veraneio (antiga e moderna). Isso porque o kit 4x4, fabricado pela Engesa, foi inicialmente desenvolvido para a linha 10 militar (C-15 "Cachorro Louco", com cabine aberta) e posteriormente aplicado na linha 20. Como os chassis 10 e 20 são muito semelhantes em perfil e largura na dianteira, o kit adapta-se perfeitamente a qualquer uma delas. Já nas Silverado e Grand Blazer pode até servir, pois olhando o catálogo de peças a suspensão dianteira e o chassi parecem idênticos. Se alguém tiver coragem, deve ficar show.

Algumas dicas aqui presentes são particularidades do meu carro e/ou do kit que utilizei e podem não valer para outros modelos, mas como eu disse basicamente é tudo igual.

Veículo utilizado na transformação

Bonanza Custom 94/94 (saiu da concessionária em MAI/95), completa de fábrica (ar, trio, som, rodas, etc.), somente não possuindo a direção eletro-hidráulica. Originalmente era movida a gasolina, tendo sido convertida para diesel pelo segundo proprietário. A conversão foi (muito bem) feita na NP Auto Diesel, de São Paulo, com todos os detalhes originais inclusive alterações no painel como manômetro do turbo, contagiros com escala para motor diesel, etc. Com isso, ela tornou-se uma Bonanza S4T tão "convincente" que só quem conhece o modelo (ou verifica a numeração do chassi) sabe que foi convertida. A única coisa que não foi alterada foi a relação do diferencial (3,90:1 ou 43x11), que ficou um pouco curta para diesel. Contudo veremos mais adiante que isso foi bom, dadas as modificações executadas, os pneus utilizados e um pouco de sorte.

Kit 4X4 utilizado

Engesa, modelo militar do final da década de 70, retirado de uma C-15 do Exército adquirida em leilão. Nesses kits mais antigos, geralmente os freios que vêm no eixo são a tambor (meu caso). O kit é composto basicamente por:

  • 2 reforços para a dianteira do chassi, aplicados como uma "capa" nas longarinas e incorporando o ponto de fixação dianteiro dos feixes de molas;
  • 2 suportes para fixar a parte traseira dos feixes de molas e jumelos, os quais são posicionados também nas longarinas do chassi;
  • 2 feixes de molas (que eu soube há pouco no Fórum serem originalmente do caminhão Ford F-600, mas que no meu caso aparentemente são da F-350 antiga);
  • um eixo rígido com diferencial (normalmente era Dana 44, por questão de compatibilidade com as demais viaturas do EB), freios e rodas-livres manuais;
  • 1 cardan dianteiro;
  • 2 barras de direção;
  • 2 amortecedores de curso mais longo (no meu caso, foram utilizados os dianteiros da Toyota Bandeirante);
  • 2 calços para elevar a altura na traseira, nivelando com a nova dianteira, que fica mais alta com o kit;
  • dependendo do kit, um cabo de aço com manopla (idêntica à do estrangulador dos motores Perkins) para acionamento da tração ou um conjunto de alavanca com suporte. Se for cabo, mude para alavanca. É fácil e evita dores de cabeça posteriores com trações que não desengatam, a não ser que você deite debaixo do carro enlameado e desengate com a mão direto na caixa;
  • 1 caixa de transferência, com ou sem reduzida dependendo do kit. Como a Engesa tinha uns 4 ou 5 tipos diferentes, usa-se a que vier. Mas nada impede, por exemplo, de se utilizar uma de Toyota Bandeirante ou similar. No meu caso, veio uma militar sem reduzida, feita em chapa e no formato de caixa, pesadíssima e virtualmente indestrutível. A maioria dos kits civis vinha com a caixa dos jipes Engesa, também sem reduzida, salvo pedido em contrário do cliente. Algumas dessas caixas são extremamente ruidosas por possuírem engrenagens de dentes retos (jipes Fase I), mas hoje existem conjuntos de engrenagens silenciosas que podem substituir as originais. As retas são mais resistentes, mas não se perde muito com as cônicas. Pode-se utilizar também a caixa ZF com reduzida que vinha nas D-20 4x4 originais de fábrica, que é excelente.

Por falar em D-20 4x4 de fábrica, o sistema (com exceção da caixa de transferência) NÃO SERVE para adaptação nas 4x2, visto que a parte dianteira do chassis é totalmente diferente (perfil e largura). Pelo mesmo motivo, também é muito complicado "transplantar" uma carroceria 4x2 para o chassi de uma 4x4, pois os suportes da cabine teriam que ser refeitos em outra posição. E mesmo que fosse possível, a fragilidade do sistema original desaconselha totalmente o trabalho. A respeito disso, leia os diversos posts colocados no Fórum onde são discutidos os pontos fracos desse sistema.

De todos os componentes do kit da Engesa, os mais críticos são os reforços do chassi e suportes das molas. Sem eles, fica muuuito difícil posicionar os feixes, exigindo várias experiências para se localizar o ponto correto. Além disso, esses suportes servem para deixar o chassi mais rígido, evitando que as longarinas se "abram" transversalmente, uma vez que para a instalação do kit é retirado o agregado (travessa ou quadro) da suspensão dianteira, que cumpria também essa função. Eles não são soldados no chassi, mas sim parafusados (aliás, prepare-se para apertar um monte de parafusos...). Se o kit que você está negociando não possuir esses reforços, desista. Essas peças são grandes, feitas em chapa 5mm, seu desenho reproduz a longarina do chassi e são de confecção muito trabalhosa sem gabaritos adequados.

Já o eixo rígido, o cardan e os feixes de molas são fáceis de ser "fabricados" a partir de componentes de outros veículos.

Considerações gerais

Essa adaptação é um trabalho não muito difícil, desde que se tenha certa experiência em mecânica, principalmente em veículos 4x4. Contudo, é trabalhosa e envolve praticamente toda a parte de baixo do veículo. A oficina responsável pela minha adaptação foi a Four Wheel Force, do mecânico José Antonio Gay (antes que alguém pergunte, o nome dele é esse mesmo), em Guaratinguetá, SP (012 3125-7436). Como o nome diz, é especializada em 4x4, inclusive adaptações. E isso é um ponto importante: o profissional que vai executar o trabalho tem que "comprar" a idéia, caso contrário seu carro vai acabar encostado num canto da oficina, relegado às "horas vagas".

Por Ulysses Pagliaro - Lorena SP
Fonte: picapesgm

 

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